Em que Cremos

Uma Profissão de Fé é um documento teológico-pastoral que sintetiza as crenças gerais de uma pessoa, instituição ou comunidade. A Mirfe adota o Credo Primeiro como sua síntese de crenças gerais que norteiam sua teologia e sua prática.


PROFISSÃO DE FÉ

Credo Primeiro


1. Cremos em um único ser criador de todas as coisas, indivisível e invisível, uma única divindade consubstanciada em três pessoas de igual poder e cooperação entre si, a quem chamamos de Pai, Filho (Jesus Cristo) e Espírito Santo, sem a qual nada do que foi feito se fez. Ele é o criador do tempo e da perenidade, portanto, existia antes e continuará a existir eternamente após o fim de todas as coisas. Que se revelou aos homens desde o princípio, sendo chamado por vários nomes, e particularmente de El (durante o período dos patriarcas hebreus), de YHVH, Senhor, o Eterno (após o Êxodo do povo hebreu) e de Deus (no tempo presente).

2. Cremos que o propósito de vida de cada ser humano é o de adorar a Deus e amar ao teu próximo como a si mesmo, sendo que isto ocorre de maneira simbiótica, onde um ato requer a existência do outro.

3. Cremos na degeneração do ser humano por meio da separação voluntária em relação a Deus, seja a original queda no Jardim do Éden, seja a cada vez que o negamos e o não aceitamos. Desta forma, todo o mundo foi mergulhado no mal e padece pelo próprio mal, por consequência.

4. Cremos nas Escrituras Sagradas como palavra revelada de Deus, não como se Deus as tivesse escrita pessoalmente, mas como por orientação do Espírito Santo que inspirou homens a registrar aquilo que desejava que chegasse até nós. Elas não devem ser interpretadas literalmente, mas o texto deve ser submetido a uma interpretação cujo objetivo seja o de extrair a verdadeira mensagem de Deus, minimizando os equívocos formais presentes nas letras sagradas. Elas são as fontes primárias de toda teologia e prática que a igreja deve adotar, sendo que qualquer fonte secundária não as podem contradizer, cabendo apenas esclarecê-las e complementá-las pela autoridade revelatória do Espírito Santo.

5. Cremos no plano salvífico de Deus para a humanidade por meio do Filho, a quem chamamos Jesus, a fim de que a degeneração humana se cessasse e pudesse haver uma restituição do elo perdido com Deus iniciado no Jardim do Éden. De forma que, o Filho, Jesus, se fez humano e habitou entre nós, no cumprimento das profecias do primeiro testamento, tanto homem como Deus em uma una pessoa, recebeu em si toda a nossa degeneração dando-se em sacrifício completo (holocausto) por meio de sua morte na cruz, vertendo seu sangue, se tornou nosso koper (resgate) e nosso kippur (expiação), para que todos pudéssemos ser religados à divindade, não por obras, mas exclusivamente pela fé nele.

6. Cremos no evangelho de Jesus Cristo, que é o poder para salvação de todo aquele que crer. Ele é o único mediador e salvador de toda humanidade e sem ele ninguém pode ser salvo. A crença nele é o único caminho de salvação. E, por isso, é dever da igreja levar as palavras das boas-novas a todos quanto o puder. Toda a humanidade é chamada ao arrependimento por seus pecados e à conversão pela Fé em Jesus Cristo.

7. Cremos na supremacia absoluta da Graça, infalível e imutável, como sendo o resultado da fé em Cristo, dada por Deus, não pelo nosso próprio merecimento, mas pela sua benevolência, de forma gratuita. Não há nenhum outro requisito para a salvação da humanidade. Uma vez que a Graça da salvação seja dada pela divindade, não há mais como ser retirada, pois Deus é infalível em seus atos.

8. Cremos na contemporaneidade dos dons do Espírito Santo, que nos capacita e habilita a determinados ofícios para a comunhão coletiva da igreja. A diversidade dos dons e sua distribuição é ação exclusiva do Espírito que os evoca em cada crente comungante para o bem da coletividade eclesiástica, evolui no tempo e espaço, se renova e extingui-se de acordo com a sua vontade.

9. Cremos na Ceia do Senhor como sendo um ato simbólico e memorial, repetido com frequência pela igreja, sendo um dever de todo crente em condições de participar, com intuito de relembrar a morte vicária de Jesus Cristo. A Ceia do Senhor é um momento de comunhão, aberta a todos da igreja local, se adotado o modelo apostólico, ou fechado aos batizados, se adotado o modelo ritual.

10. Cremos em um só Batismo, realizado preferencialmente em águas naturais, correntes e por imersão completa; um ato simbólico da emergência de uma nova criatura: da degeneração completa à regeneração em Cristo. O batismo com o Espírito Santo ocorre simultaneamente ao ato de conversão e não ocorre em momento diverso deste.

11. Cremos na Igreja de Jesus Cristo, a comunidade dos crentes redimidos por seu sangue, universal e invisível, e que será reunida ao final dos tempos na volta de Nosso Redentor em sua forma visível. A Igreja se distribui no mundo visível em suas múltiplas formas institucionais, segundo os dons concebidos pelo Espírito Santo, apresentadas sob a forma de diversos ministérios para o cumprimento de sua missão e na diversidade humana deles decorrentes. A igreja local, palpável e de matriz humana, é a representante da Igreja de Jesus, como comunidade elegida para o cumprimento do propósito de vida de cada ser humano, adorar a Deus e amar ao próximo; é nela que cada crente exerce aquilo pelo qual cada um foi chamado e aplica seus dons espirituais; é nela também que os atos simbólicos e rituais, as dádivas do viver cooperativo e solidário e os cultos são realizados. É dever da igreja local ser uma luz em meio a escuridão, de buscar transformar a realidade social dos crentes e da sociedade ao seu entorno.

12. Cremos que para Deus não há distinção alguma entre os seres humanos. Não há distinção nem por sexo (homem ou mulher), nem por idade (criança, adolescente, jovem, adulto ou idoso), nem por cor (branco, negro ou mestiço), nem por condição socioeconômica (pobre, classe média, rico, etc.), nem por etnia (europeu, asiático, africano, indígena, etc.), nem por orientação sexual (heterossexuais, homossexuais ou bissexuais), nem por identidade de gênero (cis ou trans), nem pelos dons espirituais recebidos pelo crente (profecias, ensino, conhecimento, etc.) e nem pelas posições (e funções) que ocupem na igreja institucional (quer local, regional ou qualquer outra configuração hierárquica). Todos os seres humanos são iguais perante Deus, todos se afastaram dele pelo mesmo motivo e também por ele todos igualmente têm acesso à salvação mediante a fé em Cristo Jesus, Nosso Senhor. A igreja local deve necessariamente ser um estandarte aberto na defesa dessa igualdade perante o mundo.

13. Cremos que todo indivíduo tem total liberdade de fazer as suas escolhas para as coisas deste mundo e para as coisas espirituais. Tem direito a crer e a não crer em Jesus Cristo, tem direito a participar ou não da igreja de Jesus Cristo, tem direito a professar publicamente quaisquer outras religiões que julgar lhe satisfazer e tem direito a viver a sua vida da forma que achar melhor. Ressalvando que todas as decisões por ele tomada necessariamente lhe trarão bônus e ônus, e se aplicará a lei das consequências de seus atos, que vale tanto para a vida neste mundo quanto para a vida espiritual.

14. Cremos na existência do mal, apresentado sob a forma de uma pessoa ou não. Ele é a antítese do bem, o afastamento de Deus, a ausência de luz provinda da divindade.

15. Cremos na existência de um mundo espiritual, governado exclusivamente por Deus, com a existência de seres celestiais, bem como na morada dos espíritos humanos que deixaram a existência corpórea.

16. Cremos na racionalidade divina em toda a criação. Há racionalidade em todos os atos de Deus, nas Escrituras Sagradas, na natureza e suas leis, na vida humana e em tudo deles decorrentes. Um Deus que cria a razão não poderia ser ele mesmo irracional.

17. Cremos na segunda vinda de Jesus Cristo, que se dará em tempo imprevisto, de forma visível, real e majestosa para o restabelecimento do reino de Deus sobre todos os seres viventes; sobre toda a natureza criada. Os vivos terão seus corpos transformados e os mortos ressuscitarão para enfrentar o juízo final.

18. Cremos no juízo final para julgar todas as pessoas vivas ou mortas, segundo o padrão por Deus estabelecido, cujo o resultado é os céus (para os aprovados) e o inferno (para os não aprovados).

19. Cremos na atuação divina no mundo físico e extrafísico, de acordo com a vontade de Deus, para cumprir propósitos específicos. Nenhuma intervenção divina se dá de forma aleatória e sem objetivos claros, ainda que não o compreendamos. A igreja pode ser usada como instrumento de Deus nas intervenções de cura, de salvação, de profecia ou qualquer outra que se fizer necessária.

20. Cremos que não há necessariamente uma verdade científica nas Escrituras Sagradas, pelo contrário, as verdades bíblicas são inspiradas pelo Espírito Santo e nada tem a ver com provas ou evidências físicas. A ciência e a fé religiosa não têm a mesma base estrutural, não cabendo uma comparação entre estes dois tipos de conhecimento, de forma diversa, é dever da igreja entender suas diferenças e sempre que possível conciliá-las. A ciência não deve ser encarada como inimiga da religião, mas como aliada na explicação de todo o universo e o que nele há.


Palmas, Tocantins, Brasil, 24 de março de 2019.

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